Almoço: piracaia, prato feito por um simples processo de assar peixes na areia
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Na trapiche de Anã, avista-se ao longe o barco do PSA
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Dinha escaldando e torrando a farinha de mandioca no forno
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Sem energia elétrica, casal amassa fruta em peneira para fazer o suco de açaí
A viagem continua...
Terceiro dia – 24 de novembro de 2010 (quarta-feira)
Pela manhã conheci o projeto de produção de ração orgânica e criação de peixes em tanque do grupo Mulheres Sonhadoras em Ação (MUSA). Essas mulheres guerreiras empreenderam a criação de peixes como uma forma de reserva de alimento para a sobrevivência da comunidade. Como a ração industrial costuma ser cara, elas apenas a utilizam para os alevinos - fase em que o peixe ainda é um filhote - e produzem a ração caseira para os demais. Como o que tem de sobra é mandioca, então, a ração é feita a base de........mandioca!
O almoço foi uma piracaia na praia, oferecida pela comunidade. Para quem não sabe (eu também não sabia), a piracaia é um simples processo de assar peixes na areia, como fazem os pescadores quando saem pra pescar. O cardápio é uma delícia: arroz, salada, peixe, farinha, champagne, suco, doce e farofa de cajú. Sem
dúvida, o melhor peixe que já comi na vida!
Seguimos viagem
e partimos no mesmo dia para a próxima comunidade: Atodí. A viagem de barco – que levou algumas horas – permitiu descansar na rede.
Quarto dia – 25 de novembro de 2010 (quinta-feira)
A comunidade é composta de 52 famílias. Nela, percorri uma pequena trilha para tomar banho em um igarapé. O solo do igarapé é de argila branca o que permite que todos possam brincar. Tivemos a oportunidade de conhecer o processo de fabricação da farinha de mandioca, base da alimentação das populações tradicionais da Amazônia. “Casa de farinha” chama-se o local da fabricação. Dinha, seu marido e seus três filhos abriram a sua para nos mostrar tudo. O processo é trabalhoso, longo e sob alta temperatura. Ela me contou que, se não fosse a escassez de oportunidades de trabalho em Atodí, não compensaria fazer a farinha – que de tanto trabalho é vendida a preço baixo no mercado de Santarém.
Era hora de tomar um bom banho de praia,
acompanhada pelas crianças da comunidade. Água limpa e com
boa temperatura. Ao final das atividades, foi oferecido um almoço comunitário. Uma grande fartura! Dessa vez conheci a galinhada e o suco de abacaba – uma fruta típica da região. Mas o que não poderia faltar mesmo era o suco de açaí. Acompanhei todo o processo: da árvore até o copo!
Pela tarde navegamos pelo rio Arapiuns até a comunidade de Arimum. Nessa noite, ancorados já na praia de Arimum, tivemos uma nova piracaia – apenas entre os turistas e tripulação -, regada a bom peixe, fogueira, música e dança. Com direito a apreciar o luar!
Confira continuação do relato de viagem da jornalista:
*Tatiana Vieira é paulistana, jornalista com atuação no terceiro setor,
blogueira, comunicadora e facilitadora. Já atuou no GIFE – Grupo
de Institutos, Fundações e Empresas, Canal Futura, Agência de Notícias da Aids e atualmente colabora para o Fórum Social de São Paulo e Movimento Oasis. Ela sugere o seguinte vídeo sobre roteiro Amazônia ribeirinha:
Serviço:
Para mais informações do Projeto Saúde &
Alegria, acesse aqui.