Voz a todos. Na última segunda-feira (23/4), o auditório do Senac Aclimação estava cheio com estudantes, diferentes profissionais e docentes para o café com os autores do livro Mude seu Falar que eu Mudo Meu Ouvir. Produzido por jovens com deficiência intelectual, a publicação pretende atender como um manual de acessibilidade e estimular o debate sobre a inclusão de pessoas com deficiência. É resultado da determinação de Carolina Yuki Fujihira, Ana Beatriz Pierre Paiva, Beatriz Ananias Giordano, Carolina De Vecchio Maia, Carolina Reis Costa Golebski, Claudio Aleoni Arruda e Thiago Rodrigues.
Os autores são participantes da Carpe Diem, uma associação cuja missão é fortalecer a pessoa com deficiência intelectual, para que ela influencie a sociedade no compromisso com a diversidade.
Também participaram estudantes e familiares dos alunos do Programa Educação
para o Trabalho – Trampolim. O café ficou por conta
dos ex-alunos da Formação de Baristas da unidade e a música com os estudantes do Programa Aprendizagem. Foi um evento de integração de diferentes estudantes.
O prefácio foi escrito por Marta Gil, socióloga, coordenadora executiva do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas. Com o título Sem limites... para ser, a consultora na área de deficiência e colaboradora do Planeta Educação ressaltou a importância da publicação para o movimento de inclusão de pessoas com deficiência, citando a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência e atuação da Carpe Diem, além da ousadia dos jovens autores. “Dificuldades, quem não as tem? Apoio, quem não precisa? Eles mostram, na prática, que os limites estão cada vez mais tênues, cada vez menos impeditivos, pois a
inclusão avança e abre espaços cada
vez mais amplos, envolvendo cada vez um número maior de pessoas – a ciranda cresce, outras pessoas vão chegando e se somam às outras”, afirma Marta Gil.
A apresentação explica de que forma e em qual contexto a obra foi originada. Em congressos, os jovens viram e presenciaram situações que comprovaram a necessidade de um manual sobre acessibilidade às pessoas com deficiência intelectual. Um grupo de jovens críticos do Carpe Diem foi organizado para desenvolver esse manual. Os autores se reuniram muitas vezes e foram instigados para falarem sobre deficiência intelectual e condições de acessibilidade. Essas conversas foram gravadas e transcritas. A partir daí, esse conteúdo foi dividido em capítulo e algumas ideias importantes foram aprofundadas. Para ter mais coerência, esses textos não passaram por correções gramaticais nas transcrições e os nomes de todos publicados junto com suas falas, já que lutam pela visibilidade.
O livro apresenta 10 capítulos, com apresentação dos
autores, quem são, onde
estudaram e o que eles gostam e sonhos; o que é acessibilidade para cada um deles; por que escreveram essa publicação; explicação sobre o que é deficiência intelectual (compreensão, comunicação, memória, ritmo, tempo, cálculo e o uso do dinheiro); reflexões sobre algumas situações de vida (lazer, escola, trabalho, namoro e família); o que falta para as pessoas com deficiência intelectual viverem melhor; resumo de dicas para favorecer alguns aspectos; recado de despedida aos leitores e referência bibliográficas. Foram dois anos de produção e seu lançamento aconteceu em um evento da Organização das Nações Unidas, em Nova York (EUA).
Ana Beatriz Pierre Paiva, 35 anos, apresenta o livro e já explica que não se trata de um manual técnico. “Não é aquele que ensina a ligar uma televisão, um rádio. O nosso é humano, fala de pessoas, inclusão na escola, no lazer e no trabalho”, ressaltou. A jovem é apresentadora do Programa
Lírios da
TV Mundo Maior, da Fundação Espírita André Luiz.
Ana Beatriz também pontuou que as pessoas com deficiência intelectual fazem tudo em um ritmo diferente. “As pessoas falam muito e a gente acaba não entendendo nada. Quando for fazer uma palestra, é preciso colocar fotos, imagens para todos entenderem. Tudo de uma vez a gente não entende”. Ela também deu uma dica sobre inclusão que começa com uma parceria entre escola, família e sociedade. “Nunca estudei em escolar regular. A vida toda em especial. A escola especial é boa em alguns aspectos, seria muito bom se todos fossem incluídos sem terem que ir para escola especial”.
Já Beatriz Ananias Giordano chamou atenção para a necessidade a professores capacitados. Para ela, o professor poderia ser mais capacitado para colocar mais imagens e falar mais devagar na sala de aula.
Após responder diferentes questões do público, os
autores contaram que pretendem desenvolver outras
publicações e podem incluir mais pessoas nesse grupo com outras deficiências. Assunto é o que não falta para essa turma.
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Serviço: |
Título: Mude seu Falar que eu Mudo Meu Ouvir Autores: Associação Carpe Diem; Carolina Yuki Fujihira (org.); Ana Beatriz Pierre Paiva; Carolina De Vecchio Maia; Carolina Reis Costa Golebski; Claudio Aleoni Arruda e Thiago
Rodrigues Páginas: 120 Valor sugerido: R$ 40,00 Associação Carpe Diem:www.carpediem.org.br
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