Economista autor do Green Economy Report, do PNUMA, responde questões e ressalta a economia verde como grande via para diminuir desigualdades sociais na Conferência Ethos 2012
12/06/2012 18h10min  |  Susana Sarmiento
 
Crédito: Clovis Fabiano



Nas vésperas da Conferência Internacional das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, conhecida como a Rio+20, empresários, gestores de projetos de órgãos públicos e privados se reúnem para assistir e questionar o palestrante internacional do painel Economia verde reduz a pobreza?, na tarde do primeiro dia da Conferência Internacional Ethos 2012, ontem (11/6), no Hotel Transamérica, localizado na zona sul da capital paulista. Ricardo Young, empresário e conselheiro do Instituto Ethos, e o economista indiano Pavan Sukhdev, fundador e CEO da Gist Advisory e responsável pelo estudo Green Economy Report e coordenador The Economics of Ecossystems and Biodiversity (TEEB), do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) falaram dessa via, um dos principais temas que já estão no debate dos eventos relacionados da Rio+20 e a própria Conferência da ONU, além de responder questões do público e citar exemplos em países em desenvolvimento.

O economista indiano citou o caso que acontece em Bangladesh. Lá, há pessoas que trabalham para fornecer painéis solares para geração de energia fotovoltaica e esse dinheiro é destinado para pagar empréstimos na compra de materiais para elaboração desses instrumentos. “Vimos que essa via possibilitou uma oportunidade para populações de baixa renda”, afirma. Já a Índia, outro país citado pelo palestrante, a população decidiu garantir uma renda rural. “São pagos salários mínimos para essas pessoas e isso ajudou a melhorar a qualidade do solo e a produtividade agrícola. Hoje temos vilas com produção bem sucedida, que viabilizam a construção de estruturas ecológicas”, conta.

O economista explicou e ressaltou o que podemos retirar e valorizar bens da biodiversidade. “Não podemos destruir e converter em valores. Devemos considerar essas situações: as contribuições ecológicas”, citou o indiano. Também expôs em um de seus slides os principais pontos para o desenvolvimento sustentável: melhoria do bem estar humano, aumento da igualdade social, redução dos riscos ambientais e diminuição de desastres ecológicos. Como medir isso? Pavan defendeu a necessidade da criação de um planejamento e mensuração de dados, somando conceitos de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e pegada ecológica.

Entendendo economia verde

O empresário Ricardo Young questionou primeiro ao economista a realidade das grandes metrópoles para atender toda sua população. “Em 20 anos 80% da população humana estará nas cidades. Serão mais de 400 centros urbanos. Apenas na Índia, serão 100”, atentou. Pavan ressaltou a importância desses locais oferecerem melhor acesso, sistemas de transportes e de mobilização, eficiência energética e outros recursos para acolher da melhor forma sua população.

Para o caso de cidades já existentes, como São Paulo, Pavan respondeu não ser uma tarefa muito fácil. Ele sugeriu a criação de cinturões verdes e planejamento para colaborar com ações que beneficiem os ecossistemas das localidades. “Em Cingapura, fizeram espaços verdes, gramas e jardins. Foram pequenas coisas para ajudar a diminuir a pegada ecológica. Não há as mesmas práticas e serviços a todas as cidades”, afirmou.

Young também questionou a falta de economia verde no relatório da ONU Povos Resilientes, Planeta Resiliente - Um Futuro Digno de Escolha. Pavan respondeu que não havia problemas em incluir a proposta de economia verde nesse documento e retrucou: “Pode usar minhas ideias, amanhã terei outras”, diz. “Esse documento (Green Economy Report) que produzimos não é destinado a países desenvolvidos. O desafio é a linguagem. As ideias foram escritas em inglês. Em espanhol, um conceito possui vários conceitos. ONGs na Bolívia ficaram confusas e afetaram essas discussões”, explicou.

O empresário e conselheiro do Instituto Ethos também questionou se Pavan tinha expectativas de criação de metas para o desenvolvimento sustentável durante a Rio+20. Ele respondeu: “Lembre-se de que mesmo as metas dos Objetivos do Milênio não foram alcançadas, nem falamos de uma delas, por exemplo, a número oito: todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento. Também acho importante falar da melhoria pela igualdade social. Questão essencial, porém não podemos criar um conflito entre as metas do milênio e de desenvolvimento sustentável”.

O economista chamou atenção também que a Rio+20 será a cooperação das ONGs, empresas e governos. “Não peçam dinheiro (aos chefes de Estados), nós precisamos que eles sejam responsáveis pelas metas de desenvolvimento sustentável”, retruca.

Pavan é fellow McCluskey na Universidade de Yale, onde está dedicado na produção e pesquisa de seu próximo livro Corporation 2020. Sobre essa publicação, o economista explica que irá abordar os problemas de projetos do setor privado, que precisa de uma gestão melhor e ver a sua responsabilidade com necessidades urgentes, citando exemplos de empresas, como caso de propagandas de cigarros. “A propaganda se baseia na insegurança. Ela se aproveita dessa insegurança. As fraquezas se tornam necessidades, que se transformam em demanda, e depois em produto”, sintetiza. O livro tem previsão de lançamento aqui no Brasil em setembro.
O público também respondeu questões. Uma delas foi: Vocês acham que o governo brasileiro deve apoiar a proposta de economia verde nas estratégicas de desenvolvimento sustentável? A maioria (46%) concordou plenamente.

Sobre os principais ataques para a economia verde, o indiano respondeu que a Bolívia foi o único país que não entendeu o documento. Ele indica que o problema está na linguagem. Em sua fala, o governo boliviano criou uma resistência para as empresas não comprarem territórios indígenas. Pavan acredita que faltou entendimento na leitura desse documento.

Outra questão foi sobre qual seria o melhor índice para mensurar a sustentabilidade.  Pavan já sinalizou que a per capita não mede distribuição. “Precisamos de um componente diferente, ajustado ambientalmente. O PIB (Produto Interno Bruno) clássico não nos dá a base pelo Gini (responsável por medir o grau de concentração de renda de determinado grupo). Precisamos incluir os anos de vida também. No Japão, por exemplo, em uma cidade, as famílias não relatavam os óbitos para continuarem recebendo pensão”, ressalta. O fundador e CEO da Gist Advisory comenta a necessidade da melhoria do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e unir com a pegada ecológica para colaborar na mensuração de sustentabilidade de país a país. 

     Serviço:

Evento: Conferência Internacional Ethos 2012
Dias: 11 a 13/6, a partir das 09 horas
Local: Hotel Transamérica - Avenida das Nações Unidas, 18591, São Paulo – SP
Site:www.ethos.org.br/ce2012/
Para entender melhor The Economics of Ecosystems and Biodiversity, acesse: www.teebweb.org
Já o Relatório de Economia Verde está disponível no site do PNUMA: http://bit.ly/L4cNfJ
 
 
             
 
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