Palestrantes defendem a autonomia e empreendedorismo para uma formação de profissionais da economia criativa
23/06/2012 08h51min  |  Susana Sarmiento, direto do Rio de Janeiro
 
| Outros


Formar profissionais para setores criativos foi o tema do encontro na manhã do último dia do Diálogos Setoriais União Européia-Brasil, da programação do Galpão da Cidadania, um espaço com ações do Ministério da Cultura de 14 a 22/6. Promovida pelos ministérios da Cultura e do Planejamento, Orçamento e Gestão, em parceria com a União Européia e a Secretaria de Estado do Rio de Janeiro, a conferência reuniu especialistas da economia criativa.

Participaram: Adriana Dias, sócio-fundadora do MACNEH/Movimento Acadêmico da Nova Economia do Rio de Janeiro; Lisbeth Rysgaard, consultora da Artlab, da Dinamarca. A mediadora foi uma representante do Sebrae do Rio de Janeiro.

Adriana fala de dois caminho para esses profissionais: aqueles que possuem dom e aqueles que seguem o de guerreiro. “Qual é a questão? A pessoa que tem o dom tem que conseguir cumprir todas as etapas e não consegue ser um criativo guerreiro”.
Essa palestrante comenta como criou a MACNEH. “É uma casa sustentável, que usou materiais de demolição, há um espaço para biblioteca, sala de alunos e aos desginers. Testamos o método acadêmico que começamos a desenvolver esse tempo pelo indivíduo criativo”, afirma.

Adriana conta sobre o primeiro curso chamado Costurando Sentidos. “Como fazer esse indivíduo de fato ficar estimulado e ser divulgado. Queria que o mercado conhecesse da melhor forma possível, por isso, criamos dois eixos: eixos produtos e elementos criativos”, ressalta. Na parte do eixo produtivo, envolvemos criação, produção, comunicação, vendas, logística, consumo e gestão. “Nossa produção conversava com as vendas. Isso não deixava a cadeia produtiva linear. Juntamos os pontos e criamos uma metodologia de ensino chamada cadeia produtiva radial”.

A sócio-fundadora do MACNEH/Movimento Acadêmico da Nova Economia contou como criaram a metodologia, como funcionaria da sala de professores e como iriam trabalhar envolvidos nesse movimento. “Tem que gerar dinheiro de alguma forma diferente, ter seu núcleo de gestão. Também é importante pensar no consumo e acontecer de alguma forma diferente acompanhado com ética e consciência. Muitas vezes o produto fim é feito de forma diferente, pouco tem a ver como ele foi criado, dessa comunicação desses três prontos”.

Adriana contou da experiência de alunos que desenvolveram uma coleção inteira, com base na população em situação de rua e usaram papelão e materiais relacionados com essa temática. Também há uma parceria com uma empresa em que os estudantes irão confeccionar estampas de tênis, que serão comercializados. “O mercado da moda ainda é engessado. A academia precisa ser de experiência, para que aquilo possa ser testado, por uma marca, ou uma grande loja. Nossa batalha é essa. Leis de incentivo são ótimas, mas é um por período tempo. É necessário criar projetos sustentáveis, sem depender das leis de fomento. Como a gente vai fazer essa casa ser sustentável? Tudo que iremos produzir com uma área queremos que seja escoado essa produção. Estamos atrás de fundos de investimos e mostrando que a economia criativa é rentável sim”.

Lisbeth fala sobre sua trajetória profissional. Compositora e cantora, ela conta que há vários anos se dedica como empreendedora. Também explicou a atuação da Artlab, criada em 1998 por um sindicato. Desde o ano passado, a instituição oferece um curso de desenvolvimento de carreira. Cerca de 3.200 artistas estiveram nesse curso. “Se considerar o mercado da Dinamarca, difícil ter aqueles que vivem apenas pela arte. Conseguem fazer seguro quando ficam desempregados. Porém os critérios são restritos e muitas vezes não conseguem”.

Ela ainda revela que esses profissionais, após o curso, tomam suas próprias decisões de carreiras, se tornam mais autônomos. Outro ponto importante é o trabalho. “muitas vezes o artista não quer muito focar na parte de captação de fundos. Ele não gosta de fazer esse tipo de trabalho. Em geral trabalham com gestores que tem uma linguagem vaga e praticamente fala que o artista precisa fazer tudo o que ele quer e ainda ganhará 20% de tudo. Temos gestores bons, muito bem situados e que agregam valor ao trabalho dos artistas. Queremos nos livrar daqueles que não fazem isso”, pontua.

A consultora ainda destacou para mudança notável entre os artistas que se tornam proativos. “Eles ganham mais dinheiro. É uma questão muito importante, porque irão conseguir mais rendimentos, mais cultura para as redondezas e mais empregos naquele local.

Na capacitação oferecida pela Artlab, segundo Lisbeth, esse artista recebe mais treinamento e ferramentas de conhecimentos e de redes. Ainda ressalta a importância desses profissionais ainda estarem no mercado.

Outra ação é construção de um portal de emprego. Irá atuar como um catálogo em que um artista pode consultar todos os produtos e conceitos. A ideia é que o artista também participe”. Lisbeth ainda defendeu a importância da prática de autofazer e transformar o negócio com algo que você já saiba trabalhar. Comentou ainda sobre suas formas: espiral ascendente, em que há o empoderamento do artista; e o descendente, em que não conta com o apoio para desenvolver seu talento. A fórmula indicada pela dinamarquesa é que o trabalho inspire resultados, para expansão de outros iniciativas em benefício de redução de seguro desemprego e número de financiamento pelos ministérios e por parte das empresas.

 
 
             
 
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