Sete dias na cidade maravilhosa: muita discussão e poucos compromissos
29/06/2012 13h03min  |  Susana Sarmiento
 
| Outros


Foram quatro espaços diferentes que estivemos presentes e a meta era, driblando o trânsito e a dificuldade de confirmação dos debates, a cobertura de um encontro a cada dia. Passamos pela Cúpula dos Povos na Rio+20 Por Justiça Social e Ambiental, no Aterro do Flamengo; Humanidade 2012, no Forte de Copacabana; Galpão da Cidadania, em Gamboa; e Kari-Oca, na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá.

Sem credencial para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida como a Rio +20, cobrimos debates promovidos pela iniciativa privada (Humanidade 2012), movimentos da sociedade civil (Kari-Oca e Cúpula dos Povos) e do governo (viés Ministério da Cultura com a programação da Cultura e Sustentabilidade, no Galpão da Cidadania). Eram diversos encontros ao mesmo tempo e foi uma tarefa árdua selecionar o que era interessante e o que daria para chegar dentro do horário previsto nas programações. Acredito que a palavra grande resume o tom da Rio+20 e as ações paralelas. Alguns comunicadores já previam: sim, esse capítulo do movimento de desenvolvimento sustentável seria bem midiático e com poucos compromissos.

Resumidamente, a Rio+20 marcou um grande movimento no Rio de Janeiro, que serviu de palco para centralizar diferentes atores de distintos segmentos para discutirem os próximos passos, um desenvolvimento coerente e que respeite o meio ambiente e outros itens da agenda social, política e econômica. Resultou em um documento chamado O Futuro Que Queremos. Segundo o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, é um texto de consenso com direções. O governo brasileiro ainda pontuou que haverá a criação de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2012. Importante lembrarmos que em 2015 é o prazo final dos Objetivos do Milênio, estabelecidos pela ONU em 2000, em que abrangem oito temas fundamentais: 1) acabar com a fome e a miséria; 2) educação básica de qualidade para todos; 3) igualdade entre sexos e valorização da mulher; 4) reduzir a mortalidade infantil; 5) melhorar a saúde das gestantes; 6) combater a AIDS, a malária e outros doenças; 7) qualidade de vida e respeito ao meio ambiente e 8) todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento.

Com uma pesquisa online do IBOPE Inteligência realizada no painel CONECTA Aí, 42% dos entrevistados desconheciam a realização da Rio+20. Por outro lado, os 58% que sabem a respeito da conferência no Rio de Janeiro estão bem informados sobre os itens discutidos, já que 83% indicam o desenvolvimento sustentável como tema central da conferência. E os hábitos também foram questionados. 76% dos entrevistados separam o seu resíduo orgânico, enquanto 46% fazem separação parcial e 29% a total. Porém um quarto não realiza qualquer separação. Feito entre os dias 5 e 15/6, com 4.360 internautas participantes do painel CONECTA Aí, de todos os estados do País, a pesquisa contou com participação voluntária. Site: http//conecta-i.com/painel

Na parte oficial

Entre 13 e 22/6, inúmeros encontros aconteceram ao mesmo tempo da Rio+20, centrada nos dias 20, 21 e 22/6. Segundo a ONU, foram mais de 500 eventos oficiais e paralelos no Centro de Convenções Riocentro, onde aconteceu essa conferência oficial, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro. Reuniu líderes dos setores privado, governo e sociedade civil, além de funcionários da ONU, pesquisadores e especialistas e jornalistas.

No Riocentro, por exemplo, o total de participantes foram 45.381, com mais de 100 chefes de estado e de governo, 9.856 representantes de ONGs e majors groups e da mídia, 4.075.

Foram estabelecidos 705 compromissos voluntários ao desenvolvimento sustentável registrados por governos, empresas, grupos da sociedade civil, academia e outros centros.

No Aterro

As tendas tinham os nomes de personagens e movimentos conhecidos por sua trajetória e militância em defesa dos direitos humanos, como Rigoberta Mechu (Guatemala); Santos Dias da Silva (Brasil); Betty Carino (México); Domitila Barrios de Chungara (Bolívia); Rosa Luxemburgo (Polônia/Alemanha); Abdias do Nascimento (Brasil); e outros.

Com acesso livre, o espaço da Cúpula dos Povos era aberto a todos os cidadãos interessados nas diferentes discussões, que foram organizadas de forma autogestionadas pelas organizações da sociedade civil, sindicatos, movimentos estudantis, redes de educadores ambientais, entre outros. Era preciso muita energia para percorrer todo o espaço e o colorido das bandeiras, danças, artesanato, exposições, cartazes mostravam a diversidade de discursos e posicionamentos.

A coordenação deste evento contou com 36 organizações, de acordo com Pedro Ivo, da Associação Civil Alternativa Terra Azul e um dos integrantes da organização da Cúpula. Ele também indicou uma grande representatividade de organizações ambientais e sinalizou que ainda existe muito preconceito com a atuação das ONGs. “Não somos ainda consideradas um movimento social”, diz. Apesar das dificuldades na organização da estrutura, Pedro avaliou de forma positiva a Cúpula, já que as atividades autogestionadas ficaram lotadas.

No último dia (22/6), houve o lançamento do documento final com os resultados das plenárias e assembléias dos oito dias. Assim como a declaração dos povos indígenas, a declaração final Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental – Em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida  também criticou a economia verde. “A dita ‘economia verde’ é uma das expressões da atual fase financeira do capitalismo que também se utiliza de velhos e novos mecanismos, tais como o aprofundamento do endividamento público-privado, o super-estímulo ao consumo, a apropriação e concentração das novas tecnologias, os mercados de carbono e biodiversidade, a grilagem e estrangeirização de terras e as parcerias público-privadas, entre outros”, diz trecho da carta. Levantaram ainda os seguintes eixos de luta: contra a militarização dos Estados e territórios; contra a criminalização das organizações e movimentos sociais; contra a violência contra as mulheres; contra a violência as lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgeneros; contra as grandes corporações; contra a imposição do pagamento de dívidas econômicas injustas e por auditorias populares das mesmas; pela garantia do direito dos povos à terra e território urbano e rural; entre outros.

“Precisamos construir o nosso posicionamento e se organizar muito mais. Ainda estamos dispersos dentro do processo de movimento ambientalista. Temos ainda outras agendas: Código Florestal; a questão dos mangues e da Copa do Mundo. A Cúpula não irá continuar, mas as agendas de lutas irão”, sinalizou.

No Forte

Em uma estrutura toda diferenciada, desenhada pelos cenógrafos Bia Lessa e Abel Gomes, os debates do Humanidade 2012 se dividiram em três distintos encontros: Cúpula dos Prefeitos; Seminário de Lideranças Empresariais; Fórum de Empreendedorismo Social na Nova Economia; TEDxRio+20. Passaram pelo espaço mais de 210 mil pessoas pelo circuito expositivo. Para ver toda exposição, era preciso ter paciência para aguardar cerca de duas horas nas filas. O Humanidade aconteceu em 12 dias e recebeu mais de 10 mil alunos do Sesi, Senai e do Projeto Heróis do Futuro.

     Serviço:

Cúpula dos Povos Na Rio+20 Por Justiça Social e Ambiental: http://cupuladospovos.org.br/
Humanidade 2012: www.humanidade2012.net
Cultura e Sustentabilidade, no Galpão da Cidadania: www.cultura.gov.br/riomais20
Kari-Oca: http://intertribal.org.br/blog/

Confira nossa cobertura fotográfica pelos espaços citados: http://bit.ly/Mo5Nr2

Relação de conteúdos desenvolvidos e publicados no Portal Setor3, durante a cobertura de 17 a 23/6:

Kari-Oca mostra diversidade de cores dos povos indígenas e uma carta com as principais reivindicações aos chefes de Estado
29/06/2012 09h56min  |  Susana Sarmiento
http://bit.ly/L8edXI

No Galpão da Cidadania, seminário é encerrado com debate sobre formação e necessidade de modelos de negócios diferenciados
26/06/2012 18h21min  |  Susana Sarmiento, presente no dia da palestra no Rio de Janeiro
http://bit.ly/MvCbLC

Palestrantes defendem a autonomia e empreendedorismo para uma formação de profissionais da economia criativa
23/06/2012 08h51min  |  Susana Sarmiento, direto do Rio de Janeiro
http://bit.ly/LAcnZb

Durante o debate de Tecnologias para Sustentabilidade, empresários indicaram saídas para alinhar práticas de produção com demandas sustentáveis
22/06/2012 10h38min  |  Susana Sarmiento, direto do Rio de Janeiro
http://bit.ly/MZrc7X

Heloísa Helena e Marina Silva dividem com os participantes da Cúpula dos Povos os motivos de seguir pelos caminhos da política
20/06/2012 18h07min  |  Susana Sarmiento, direto do Rio de Janeiro (RJ)
http://bit.ly/MF0cgY

Representantes de órgãos internacionais e publicação reforçam atuação e pautas urgentes de organizações da socieda de civil
19/06/2012 23h06min |  Susana Sarmiento, com informações da redação do site da Abong, direto do Rio de Janeiro (RJ)
http://bit.ly/OGufI8

Lideranças empresariais, de movimentos sociais e redes debatem como práticas democráticas podem ajudar a construir cidades sustentáveis
18/06/2012 07h43min  |  Susana Sarmiento, diretamente do Rio de Janeiro (RJ)
http://bit.ly/MF0jtd

Vale a pena conferir cobertura de veículos parceiros:
Agência Jovem de Notícias
: www.agenciajovem.org
Mercado Ético:http://mercadoetico.terra.com.br/riomais20/
Repórter Brasil: Documento final da Rio+20 é declaração de intenções contra fome e miséria http://bit.ly/LSVWby
Projeto Rádio Ambiente 21: www.ambiente21.radio.br

 
 
             
 
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